Senhor, até quantas vezes deverei perdoar meu irmão, será até sete vezes? Pergunta Pedro e Jesus lhe
responde pacientemente não sete vezes. Mais até setenta vezes sete. Nos ensinando assim, a imensidade de
vezes, que devemos perdoar. O perdão é a mais bela atitude do ser humano.
Existem muitas maneiras de definir o perdão, porque o perdão é muitas coisas. É uma decisão, é uma
atitude, um processo e um modo de vida. É algo que oferecemos aos outros e às vezes algo que
aceitamos.
Perdoar é uma decisão de ver além dos limites da nossa personalidade. É a decisão de ver além dos
medos, idiossincrasias, neuroses e erros – de ver uma essência pura, não – condicionada pela nossa
história pessoal, que possui um potencial ilimitado e que sempre merece respeito e amor.
Perdoar é uma escolha de “ver a luz ao invés do abajur” escreveu o Dr. Gerald Jampolsky.
Estamos condicionados a ver a outra pessoa como estúpida ou errada, ao invés de oprimida ou assustada.
Perdoar é uma atitude que favorece olhar para uma pessoa que você pode ter julgado automaticamente e
notar que ela é mais do que apenas a pessoa “horrível” ou insensível que você vê.
“Perdoai as nossas dívidas ou ofensas,assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido… (Pai
Nosso)”.
Dizemos diariamente esta frase na maioria das vezes, apenas com os lábios, pois nada fala o coração.
Como o mundo seria cheio de paz, de amor e de justiça, se nós tivéssemos aprendido o ensinamento do
Cristo. Afinal somos todos irmãos filhos do mesmo Pai! Acabariam as desavenças, as intolerâncias, as
guerras e tantas desgraças.
Perdoar nos ensina que podemos discordar resolutamente de alguém, sem negar o nosso amor, perdoar
nos leva além dos medos e dos mecanismos de sobrevivência a que fomos condicionados, até uma certa
ousadia de visão, que nos permite adentrar num novo reino de escolha e liberdade, onde podemos
descansar das nossas batalhas. Perdoar nos leva ao lugar onde a paz não é uma estranha e nos capacita a
conhecer a nossa verdadeira força.
Os grandes relacionamentos são construídos com o perdão. O perdão permite que as armas sejam postas
de lado e que as barreiras sejam desmanteladas. O perdão nos dá a clareza para diferenciar o passado do
presente, enquanto nos dá também esperanças para o futuro.
Nós estamos aqui na terra, para amar e para levar o amor, a cada área das nossas vidas. O amor é a nossa
natureza e, quando vivemos a totalidade do nosso ser, perdoamos e sabemos que fomos perdoados.
Quanto mais nos afastamos da realidade que fabricamos, onde criamos inimigos, e quanto mais vivemos
como realmente somos, mais nos movemos além até da necessidade de perdoar.
Escolher o amor e escolher o perdão para nós mesmos, ou para os outros, é o caminho para viver no céu
agora, na própria terra.
Por Maria Virgínia Lima Costa Alves, dos livros: “O Evangelho Segundo o Espiritismo” de Allan kardec
e “O Livro do Perdão” de Robin Casarjian. Aju, 16/11/2003




