AH! QUANTAS VIDAS EU DARIA PARA VIVER DE NOVO

27 mai

Hoje é que eu me dou conta da grande bobagem que eu fiz. Nunca tive religião definida. Na realidade, a minha religião era o dinheiro, que eu hoje eu odeio com todas a forças. Têm me explicado que o culpado não foi o dinheiro, fui eu que o super-valorizei.

Hoje eu lastimo o meu ato.  Era jovem bonito, o “queridinho das meninas”. No meu carro último tipo, eu era o tal!…

Piedade de alguém? Não tinha. Se vinham me pedir um emprego, um dinheiro, eu esnobava do alto da minha vaidade.

- Vá trabalhar vagabundo. Faça como eu fiz. Comecei a batalhar cedo, para não precisar de ninguém. Lutei muito galguei altos postos. Venci na vida! – pensava comigo cheio de vaidade.

Mulheres, eu zombava de todas. Achava que elas e todos que se aproximavam de mim, tinham interesse nos meus bens.

Viajei bastante farreei, mas acho que me descuidei um pouco dos meus bens e um meu funcionário altamente ambicioso, conseguiu afundar-me na miséria.

Os detalhes não há tempo para detalha-los, só digo que quando dei por mim, estava falido. Devendo altas somas, que os meus bens não podiam cobri-las.

Fui tachado de louco, inoperante, irresponsável… Eu que tinha muitas famílias, que dependiam deste emprego.

Sem nada, vi-me na miséria, na humilhação, que o meu orgulho não podia suportar.

Um belo dia, desapareci para sempre do planeta Terra. Suicidei-me. Não tinha vontade de viver. Viver para quê!? Não tinha dinheiro, não tinha mulheres… Incrível, eu não era mais “o belo”.

O que me restava, era desaparecer, esquecer de tudo uma vez por todas. Seria bem melhor o esquecimento, o nada; mas que terrível surpresa, o esquecimento e o nada não veio. Ao contrário vi mais e mais, coisas que  eu não gostaria de ver. Pessoas me maldizendo na Terra pelos males que fiz com a minha vaidade e irresponsabilidade.

Sofri, blasfemei, gemi, chorei. Quis dar uma de “durão”, mas as ocorrências eram mais terríveis e tão reais!…

- Quanta gente esmolambada! Quanta gente feia! Que horror! Eu nunca tinha visto tamanha miséria!

Precisei morrer, se é que morri, para ver tantas verdades, terríveis verdades. Sofri muito, banquei o “durão” enquanto pude.

Um belo dia, cansado, sujo, esmolambado, esfomeado, triste, pensei:

- Eu tinha tanta coisa na Terra, tantos bens, tudo… me tiraram.

Eu queria fugir, eu queria esquecer e deu-se o contrário

Um dia, eu parei no meio de tantos charcos, e chorei. Chorei a não mais poder. As lágrimas brotavam-se aos borbotões!

Quanta mágoa, quanta dor! E a morte onde estava a morte, o esquecimento, o aniquilamento do ser!?

Pensei, tenho que fazer algo. Se não consegui o esquecimento tão ambicionado… Se me sentia mais vivo do que nunca e com tanto sofrimento. Qual foi o proveito do meu ato!?

Levantei-me fechei os punhos e gritei, gritei bastante alto.

- Se existe Deus, ajudem-me! Só o silêncio aterrador me respondia…

- Se existe Deus, responda!!!

Nada… Só silêncio e choros estridentes.

Pensei: – não vou suportar. Até quando, até quando!?

Parece muito dramático, mas é bastante real.

Sofri muito. Até que depois de quanto tempo, não sei…

Deixei de exigir a presença e a ajuda de Deus.

Passei a pensar nas orações, que minha mãe me ensinava, quando pequeno e comecei a gaguejar aos poucos.

Aos poucos, foi me chegando a memória, aquelas pequenas preces. E eu as recitei, não digo orei, porque eu não sabia orar.

Mesmo assim o auxílio chegou e eu vi a minha mãe que nunca me abandonou… aproximar-se de mim, de braços estendidos. Caí nos seus braços, como uma  pequena criança, tão necessitada de amor e compaixão!

E a ajuda do Pai chegou e enfim eu fui recambiado para o “Hospital de Maria de Nazaré”.

Ainda sofro as seqüelas do meu ato insano, mas estou amparado pela Mãe Santíssima, em nome do Pai de Amor.

Digo para todos, que virem este meu depoimento. A vida é bela. Sejam compassivos, amem, mas amem indiscriminadamente e jamais se suicidem.

Deus os Abençoe.

José Dantas.

Por Maria Virginia Lima Costa Alves, CCFA, Aju, abril de 2010.

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